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Governo dos EUA contrata INESC Porto
Instituição portuguesa desenvolve plataforma que permite prever a produção de energia éolica até três dias de antecedência
O Argonne National Laboratory, que faz parte da rede de laboratórios do Departamento de Energia do governo norte-americano, contratou o INESC Porto para o desenvolvimento de uma plataforma que permite reduzir os custos de produção de energia eólica.
A instituição portuguesa não divulga os números do acordo, mas avança "que se trata de um contrato que está remunerado ao nível da exigência que os Estados Unidos colocam".
Quanto à plataforma que o INESC Porto vai desenvolver, a tecnologia permite prever a velocidade do vento e a energia que se pode extrair com uma antecedência que vai até três dias. Segundo Vladimiro Miranda, director da instituição portuguesa, "uma previsão precisa da potência eólica poderá embaratecer o preço da energia eléctrica aos consumidores e poderá aumentar os proveitos das empresas detentoras de parques eólicos".
"Se uma empresa tem muita confiança na sua previsão, pode ser melhor negócio oferecer potência no mercado com um ou dois dias de antecedência do que aceitar uma tarifa mais baixa que paga a energia à medida que ela vai 'acontecendo', sem grande previsão", argumenta o director do INESC Porto. "Quando se conhece melhor o futuro, pode-se ajustar a operação do sistema eléctrico a um ponto optimizado, diminuir a produção de centrais mais caras, ajustar os trânsitos de energia na rede de modo a provocar menos perdas, por exemplo", completa Vladimiro Miranda.
O responsável português não consegue especificar percentualmente a poupança de custos que a plataforma do INESC Porto poderá trazer. Ainda assim, refere que "podem ser ganhos não desprezáveis a importantes".
EDP e REN ajudam
Instado a explicar como é que o Argonne chegou ao INESC Porto, Vladimiro Miranda diz que um dos factores poderá estar relacionado com trabalhos anteriores que envolveram a EDP e a REN.
"O Argonne já tinha experiência a efectuar trabalhos para o grupo EDP e também para a REN, o que significa que os portugueses não lhes eram desconhecidos", afirma Vladimiro Miranda "Por outro lado, o grupo EDP tem uma presença importante nos Estados Unidos, controlando a empresa Horizon Wind Energy, possivelmente a segunda maior actuando em território americano. Este factor também credibiliza a imagem de Portugal naquele país", sustenta.
Jornal de Negócios, 3 de Fevereiro 2009