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Por mares já antes navegados
Quando pensa nas potencialidades que o mar tem para oferecer, qual o primeiro exemplo que lhe vem à cabeça? Pesca, turismo, desporto, energias renováveis, ou exportação? As possibilidades são imensas e tão vastas que as duas próximas páginas podiam não ser suficientes para enumerá-las. Posto isto, será o "nosso" mar desvalorizado ou simplesmente mal aproveitado?
Ainda recentemente, em 2007, um estudo da Universidade Católica estimava que o mar representasse cerca de 11 por cento do produto interno bruto (PIB) português. E outras grandes figuras nacionais e internacionais têm dado a conhecer outros estudos que demonstram, mais uma vez, a importância deste sector na recuperação económica de Portugal e de toda a União Europeia (UE).
Portugal conta com a maior zona económica exclusiva (ZEE) da Europa, sendo 18 vezes maior que o seu território terrestre, o que potencia ao sucesso e maiores oportunidades de negócios os sectores de actividade relacionados com o mar.
Seguindo esta linha de pensamento, a Associação Empresarial de Portugal (AEP) e a Associação Oceano XXI – Cluster do Conhecimento e da Economia Mar organizam o Fórum do Mar, um evento aberto à participação de profissionais dos diferentes sectores que integram a economia do mar, assim como à comunidade científica e à sociedade em geral, com o intuito de contribuir para o desenvolvimento da economia do mar e para a sensibilização do público quanto aos benefícios que podem ser obtidos a partir da sua exploração sustentável.
Após a primeira edição, em 2011, a iniciativa repetiu-se, nos dias 10, 11 e 12 de Maio, na Exponor.
Este ano, o Fórum contou com uma presença ilustre. O presidente da República (PR), Aníbal Cavaco Silva visitou a Exponor ao segundo dia do Fórum do Mar e afirmou em conferência de imprensa que "ainda há muito mais a fazer pela economia do mar".
Após a sessão de abertura da conferência "Internacionalização das Actividades da Economia do Mar", o PR assinalou "das potencialidades às oportunidades de negócio, existem alguns sinais positivos, que vêm das autarquias locais das zonas costeiras do nosso país, das universidades, das organizações empresariais temos um secretário de estado do mar, que conhece as potencialidades deste nosso recurso natural", reforçando que o Fórum do Mar "é uma forma de pôr em contacto todos os que se interessam pela economia do mar e estabelecerem redes de cooperação, mas precisamos de muito mais, mais empresas (PME) no sector com vocação para as tecnologias".
Cavaco Silva considerou que o empreendedorismo, nesta área, tem sido muito limitado e falta, essencialmente, "captar investimento estrangeiro". Na sua visita recente à Finlândia, onde se fez acompanhar de diferentes empresários portugueses, teve a oportunidade de ver como, num curto espaço de tempo, os finlandeses conseguem desenvolver um cluster do mar.
E ressalvou que insistindo, Portugal conseguirá algum progresso. "A exploração do mar deve ser um verdadeiro objectivo estratégico nacional", concluiu o PR.
Cavaco Silva aproveitou esta sua visita e assistiu à assinatura de dois protocolos que, envolvendo o Instituto de Engenharia de Sistemas e Computadores do Porto (INESC TEC), o novo Instituto Português do mar e Ambiente e o Centro de Investigação Marinha e Ambiental, vêm reforçar a posição de Portugal no desenvolvimento de novas tecnologias em aquacultura e incrementar a capacidade exportadora nacional no domínio da robótica, inteligência artificial e biotecnologia marinha, áreas que têm despertado cada vez mais a atenção de investidores internacionais.
Revista Negócios Portugal, 1 de junho 2012