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PR: Exploração do mar deve ser "objetivo estratégico nacional", defende Cavaco Silva
O Presidente da República, Cavaco Silva, defendeu sexta-feira, em Matosinhos, que a exploração do mar deve ser "um verdadeiro objetivo estratégico nacional", considerando ser necessário "captar investimento estrangeiro" para desenvolver o 'cluster' do mar.
"Reconheço que não tem sido fácil em Portugal passar das potencialidades [do mar| às oportunidades de negócio", disse Cavaco Silva, acrescentando que, apesar de existirem já alguns "sinais positivos" vindos de empresas, autarquias e universidades, "há muito mais a fazer". Falando aos jornalistas no âmbito da visita que realizou sexta-feira ao Fórum do Mar, uma feira internacional do conhecimento e da economia do mar que decorreu até ontem na Exponor, o Chefe de Estado reconheceu que "o empreendedorismo nesta área da nossa economia tem sido limitado".
"Nós precisamos de muito mais, faltam-nos empresas no sector, médias empresas com uma vocação para a inovação e modernas tecnologias. O investimento tem sido de facto muito limitado e nós temos que captar investimento estrangeiro", disse. Para Cavaco, as políticas públicas "têm também que ser reorientadas para captar mais investimento, estimular o investimento e facilitar o licenciamento da exploração do mar e do domínio público marítima".
O Presidente entende que Portugal "não pode desaproveitar" o mar, "um dos mais importantes recursos naturais" que o país tem. Cavaco Silva explicou que "essa foi uma das razões" que o levou a reunir, no âmbito da sua visita à Finlândia, com empresários para "verificar como os finlandeses num período curto de tempo conseguiram desenvolver um 'cluster' no mar".
"Acredito que insistindo, e aguardamos as decisões que o Governo vai tomar nesta área, nós conseguiremos algum progresso, tirando partido para a produção mais intensa de todos os recursos que podem ser obtidos do mar e também para a criação de emprego", concluiu. Nesta visita. Cavaco passou por diversos sectores que estão presentes na feira, como a construção e reparações navais, transportes e infraestruturas portuárias, pesca, tecnologias de informação e ambiente.
O Chefe de Estado assistiu ainda à assinatura de dois protocolos para desenvolver novas tecnologias em aquacultura e aumentar a capacidade nacional de exportação de tecnologia neste sector económico. Os protocolos foram assinados entre o Instituto de Engenharia de Sistemas e Computadores do Porto - Tecnologia e Ciência (INESC TEC) e o novo Instituto Português do Maré Ambiente e o INESC TEC e o Centro Interdisciplinar de investigação Marinha e Ambiental (CIIMAR).
Construir robôs autónomos para analisar a qualidade das águas e alertar para a degradação da qualidade ambiental e para a perda de estirpes locais devido ã atividade de aquacultura, bem como aliar a robótica e a inteligência artificial à biotecnologia marinha para desenvolver instrumentos autónomos capazes de rentabilizar a qualidade da aquacultura nas zonas costeiras são os dois grandes objetivos destes protocolos.
Diário dos Açores, 13 de maio 2012