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Reindustrialização da economia potencia aumento do investimento privado em I&D e inovação
Entrevista a José Carlos Caldeira, Diretor do INESC Porto
Desde 2004, o INESC TEC incubou nove empresas de base tecnológica. Quase metade dos oito milhões de atividade em 2011 resultou de projetos e contratos diretos com empresas e 30% foi proveniente de contratos internacionais.
Vida Económica - Que balanço geral pode ser feito da Semana do Empreende-dorismo e Inovação no que concerne ao INESC TEC?
Jorge Carlos Caldeira - Penso que o balanço é muito positivo para todos os envolvidos e diversos fatores contribuíram para isso. O conjunto de visitas e apresentações efetuadas permitiu dar a conhecer o que representa atualmente a rede das infraestruturas tecnológicas e o papel absolutamente decisivo que desempenham na articulação entre as universidades e as empresas, sobretudo as PME), intervindo em áreas como a investigação e a inovação, a formação e a qualificação, a normalização e certificação, e também na dinamização do empreendedorismo.
Os diversos casos apresentados de projetos e outras atividades já realizados e com impacto económico, nomeadamente na geração de novos produtos e serviços com elevada diferenciação tecnológica, na criação de emprego qualificado e no aumento das exportações, e também de empresas que foram criadas ou que beneficiam do apoio das infraestruturas tecnológicas, são apenas alguns exemplos do muito que se faz atualmente neste domínio. E os números estão aí para o confirmar: mais de 100 milhões de euros anuais de prestação de serviços a um universo com mais de 6000 empresas, a grande maioria das quais PME.
Finalmente, importa destacar a anunciada aposta na reindustrialização da nossa economia, a exemplo do que tem vindo a acontecer em diversos países europeus e nos Estados Unidos da América, o que permitirá potenciar um aumento do investimento privado em I&D e inovação – na Europa, mais de 2/3 do investimento privado em I&D é efetuado pela indústria transformadora – e vem criar espaço para um reforço da intervenção das infraestruturas tecnológicas.
VE - De que forma se traduz o apoio do INESC no fomento de novas empresas de base tecnológicas?
JCC - O INESC TEC apoia os promotores das iniciativas, que podem ser internos à organização ou externos, na fase que designamos habitualmente por pré-incubação, que vai da ideia inicial até à elaboração de um plano de negócios credível e à angariação de financiamento para o lançamento da empresa.
Esta fase pode incluir atividades como geração de ideias (novos produtos, serviços), elaboração de estudos de pré-viabilidade e planos de desenvolvimento, conceção e implementação de protótipos industriais, identificação de parceiros, gestão da propriedade intelectual, elaboração do plano de negócios, negociação do financiamento e, se necessário, disponibilização de instalações, durante esta fase de pré-incubação.
Naturalmente, privilegiamos o apoio a empresas que se enquadrem nas nossas áreas de competência tecnológica ou de negócio, possibilitando uma intervenção especializada e com custos e prazos compatíveis com esta fase do processo.
Competências horizontais
VE - Esse apoio estende-se ao “capital-semente” para arranque do projeto?
JCC - O INESC TEC não tem um fundo de capital de risco ou capital-semente. Nessa vertente, recorremos a entidades especializadas, com as quais temos acordos estabelecidos há vários anos. Procuramos focar a nossa intervenção nas nossas competências chave e atuar sempre em parceria e complementaridade com quem já está no mercado nessas áreas.
Nos casos em que participamos no capital das empresas, a comparticipação inicial é normalmente realizada através da conversão em capital de custos associados ao licenciamento da tecnologia ou aos serviços prestados na fase de pré-incubação, o que corresponde a um apoio efetivo ao financiamento das empresas.
VE - Que sectores de atividade o INESC está mais vocacionado para apoiar?
JCC - Se quiser destacar os principais sectores onde atuamos, eles seriam a energia, a indústria, as telecomunicações, o mar, a saúde e os sistemas de gestão, nomeadamente para a administração central e local.
Projetos incubados com elevada taxa de sucesso
O INESC Tecnologia e Ciência conta com mais de 600 investigadores, dos quais 200 doutorados, dedicados ao desenvolvimento científico e tecnológico e à valorização e transferência do conhecimento.
Este desenvolve diversos tipos de projetos, desde os que, mais a montante, “visam sobretudo a criação de novo conhecimento, até contratos de prestação de serviços, direcionados para resultados muito concretos, passando por projetos de I&D aplicado, normalmente realizados em parceria com empresas, sem esquecer, naturalmente, a criação de novas empresas”, apontou José Carlos Caldeira.
Os indicadores de sucesso dos vários tipos de projetos são diferentes e “avaliamos os resultados individuais e globais, à luz dessas medidas”. No caso mais específico do apoio ao empreendedorismo, “podemos referir que, das nove empresas criadas desde 2004, apenas uma delas foi encerrada, estando as restantes em atividade”. Importa referir que são na maioria empresas fortemente vocacionadas para o mercado internacional e criadoras de emprego qualificado.
A percentagem “considerável” de projetos de I&D realizados em parceria com empresas e de contratos de prestação de serviços, a par com o facto de o INESC TEC “privilegiar as parcerias de médio e longo prazo com os seus clientes, e ter várias com mais de uma dezena de anos, traduz de facto uma capacidade efetiva de conceber e implementar projetos e outras atividades com elevado grau de satisfação para os seus clientes e parceiros”, concluiu.
Vida Económica, 22 de junho 2012