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Sanjonet acrescenta valor ao território
Ministro espera que projecto seja contaminador dos concelhos vizinhos
A Sanjonet "acrescenta valor ao território", ao mesmo tempo que toma a cidade "mais solidária" com o reforço da disponibilidade do sinal nos bairros sociais. Foi assim que Castro Almeida descreveu a rede municipal de internet sem fios de S. João da Madeira no seu lançamento oficial. Presente nesta cerimónia esteve o ministro Miguel Relvas, que destacou o "acto de atrevimento" do município sanjoanense, esperando que o mesmo venha a ser gerador de outros projectos semelhantes.
Na cerimónia que assinalou o lançamento oficial da Sanjonet, que teve lugar na passada sexta-feira, dia 15, o presidente da Câmara Municipal de S. João da Madeira lembrou que "a vida das pessoas, das empresas e dos municípios é feita de ciclos". E neste sentido, tendo terminado o "ciclo das autarquias como construtores", considera Castro Almeida que é agora tempo dos municípios se afirmarem como "agentes de desenvolvimento".
Mas o edil acredita ainda que, além de um novo ciclo, nas autarquias está também em curso uma "mudança na linguagem". Se antes se falava em planos de urbanização e infra-estruturas e serviços básicos, hoje Castro Almeida diz que os presidentes de câmara se têm de preocupar com desenvolvimento, banda larga, fibra óptica, redes urbanas de competitividade e inovação, entre outras expressões que denotam o novo patamar em que os municípios se têm de mover. E "S. João da Madeira pretende estar na linha da frente deste patamar".
Castro Almeida lembrou a primeira experiência neste âmbito, lançada no último mandato, que não foi bem sucedida, mas que "teve o mérito de mostrar as virtualidades do projecto", tendo depois o município optado por lançar um concurso público internacional para escolher um fornecedor de Internet que garantisse a cobertura, em pelo menos 90 por cento do território de S. João da Madeira, tendo o projecto sido adjudicado à Optimus.
Correr riscos
"Esta é uma experiência pioneira e, como tal, há riscos, mas admitimos que quem vai à frente tem de os correr", afiançou Castro Almeida, apontando que este projecto acarreta riscos também para a Optimus, que "vai continuar a dedicar tempo e atenção para manter a rede" em pleno funcionamento.
Além de tornar o território "mais competitivo" e de "acrescentar valor", a Sanjonet permite também dar mais um passo no sentido de tornar S. João da Madeira um "concelho mais solidário", atendendo à "manifesta discriminação positiva dos bairros sociais", onde, além da Internet estar acessível em toda a área envolvente, o sinal terá também de estar disponível em, pelo menos, um compartimento de cada habitação.
Nesta cerimónia de lançamento, Castro Almeida assinou também o protocolo que une a Câmara Municipal de S. João da Madeira ao Instituto de Engenharia de Sistemas e Computadores do Porto (INESC Porto), entidade que vai "acompanhar esta experiência e procurar descobrir outras oportunidades" que possam advir desta rede agora criada em S. João da Madeira.
A ousadia sanjoanense
A presidir a esta cerimónia, o ministro-adjunto e dos Assuntos Parlamentares, Miguel Relvas, não teve dúvidas ao apontar que "é este o modelo que nós temos de exigir às nossas autarquias, tantas vezes injustamente criticadas, mas a quem se exige hoje uma abordagem de futuro mais ousada e mais numa perspectiva do desenvolvimento cultural, social, económico".
Lembrando que, durante décadas, "investimos muito em infra-estruturas", o governante defendeu que o "problema de Portugal não é de hardware", mas "de software", salientando "o papel determinante" do poder local nas próximas décadas em matéria de competitividade.
Destacando o carácter de "justiça social" que a Sanjonet acarreta, Miguel Relvas apontou também as vantagens competitivas, dado que acredita que esta rede "pode criar novas oportunidade de investimento". E, para Miguel Relvas, é pelo caminho da inovação, empreendedorismo e competitividade que o país sairá "desta situação". "S. João da Madeira é hoje pioneiro", apontou o ministro na expectativa de que "este acto de atrevimento seja contaminador dos concelhos aqui à volta".
Miguel Relvas destacou também a posição da Optimus, lembrando que este projecto é também um desafio para a empresa, dado que "este processo vai estar em auditoria constante".
O administrador da Optimus, Manuel Ramalho Eanes, destacou a "ousadia" deste projecto que "é algo de único em Portugal" e que vem "contribuir para o reforço da capacidade de atracção de S. João da Madeira".
"Para a Optimus, é uma enorme honra participar neste projecto", afiançou o responsável, apontando que a Sanjonet poderá ainda levar a outras potencialidades.
Sublinhando a "visão e coragem" do município em se lançar neste projecto, Manuel Ramalho Eanes afirmou a determinação da Optimus - empresa responsável pela instalação e gestão da infra-estrutura - em "fazer de S. João da Madeira um verdadeiro caso de estudo internacional". No final da sessão de lançamento, o ministro, que disse já estar registado como utilizador na Sanjonet, teve oportunidade de experimentar o acesso à Internet sem fios do município de S. João da Madeira, no espaço exterior dos Paços da Cultura.
Relembre-se que qualquer pessoa pode aceder livremente à rede durante meia hora. Para navegar mais do que esse período, é necessária a inscrição, gratuita, sendo que cada utilizador terá 2 GB de tráfego (capacidade para fazer downloads ou uploads) disponíveis por mês. Tudo de forma gratuita.
O Regional, 21 de junho 2012