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A máquina que nos protege

O INESC TEC está a ultimar um robô que persegue intrusos e deteta ameaças para a saúde. Em junho, o RobVigil entra na fase decisiva de testes

Todos os profissionais de segurança fazem pausas durante as rondas. E essa é uma das características que o RobVigil tem em comum com um "segurança" de carne e osso. 

O robô desenvolvido no INESC TEC também sabe escolher o momento mais adequado para interromper uma ronda e recarregar baterias. E só não põe em prática esta capacidade de decisão, porque os laboratórios da unidade de investigação portuense ainda estão a ultimar o mecanismo que carrega baterias por indução eletromagnética. 

Se tudo correr como previsto, em junho, o robô que faz videochamadas e deteta situações de perigo, já poderá fazer um brilharete com as baterias de última geração durante os testes que vão decidir o avanço para a fase de industrialização. «Um robô vigilante pode ser a solução mais indicada para substituir um humano em situações perigosas», prevê António Paulo Moreira, coordenador do projeto no INESC TEC. 

O RobVigil começou a ser trabalhado em 2010 por um consórcio que junta os laboratórios do INESC TEC às empresas Strong, Cleverhouse e SinePower. Passados dois anos, o robô de 1,30 metros de altura que os investigadores portuenses, orgulhosamente, dizem ostentar as cores do clube da cidade, passou o primeiro teste de popularidade.

Em Guimarães, durante o Festival Nacional de Robótica, não houve criança que tivesse medo de se abeirar do autómato, para ver como se movimentava tanto em modo autónomo como comandado à distância pelos seus criadores. Muitos dos fãs de palmo e meio foram mesmo mais longe e tentaram enfiar dedos nas câmaras e sensores. Entre os mais velhos, houve quem ficasse na expectativa, mas a maioria ficava rendida à capacidade do RobVigil para contornar pessoas e objetos ou suportar conversações com alguém que, no limite, pode estar noutro ponto do globo. 

Para os investigadores do INESC TEC, a popularidade é um indicador valioso. Devido às funcionalidades de videoconferência, o consórcio tinha definido que o robô deveria ter uma altura de cerca de 1,30 metros. 

A dimensão ajuda a localizar o autómato em espaços frequentados pelas pessoas, mas também pode ter efeitos inesperados: «Sabíamos que não podia ter um aspeto assustador. Se fosse um tanque, as pessoas teriam medo», acrescenta Miguel Pinto, investigador do INESC TEC. 

Além dos requisitos definidos pelo consórcio de empresas, os investigadores que participaram no projeto RobVigil deparam-se com um outro desafio de complexidade superior: «Tivemos de seguir a legislação, no que toca à velocidade e à capacidade para não chocar com os objetos. Estas máquinas estão sujeitas a regras muito apertadas na União Europeia (UE)», explica Pedro Carvalho, investigador do INESC TEC. 

Para poderem moldar a atuação do robô a diferentes restrições e missões, os investigadores do INESC TEC criaram uma plataforma que permite a um operador (ou um responsável pela segurança de um recinto) assumir controlo da máquina a qualquer momento. A esta característica junta-se ainda a possibilidade de definir rondas em determinados recintos tendo em conta não só os locais que devem ser vistoriados, mas também as especificidades desses locais. «É possível definir vários comportamentos e alterar percursos das rondas, alarmes que podem ou não soar, velocidades de circulação, ou mesmo definir que num determinado lugar há sensores que devem ter prioridade sobre outros», enumera Nelson Rodrigues, investigador do INESC TEC, que também participou no desenvolvimento do RobVigil. 

A intervenção humana é suportada através das comunicações sem fios com que o robô se encontra equipado. Através de redes Wi-Fi e UMTS, o robô envia para um posto de controlo as imagens captadas pelas três câmaras, a localização em que se encontra, e também os diferentes alertas para ocorrências que superam os parâmetros definidos para cada missão.

Através das comunicações sem fios, o operador humano pode ordenar ao robô que foque uma câmara num determinado indivíduo e que o siga caso entre num espaço de acesso reservado.

Ou em alternativa, caso os sensores detetem fumo e a câmara térmica mostre um foco de incêndio a deflagrar, o mesmo pode operador lançar um alarme de fogo, chamar os bombeiros, e eventualmente comandar a máquina para um local que esteja a salvo das chamas. 

António Paulo Moreira recorda que o RobVigil foi criado para poder executar missões com diferentes requisitos e assim poder adaptar-se tanto a um espaço industrial, como a um armazém, ou um centro comercial onde deverá cruzar com milhares de pessoas diariamente. Com a investigação a um passo de ficar concluída, o investigador do INESC TEC aponta já para caminhos futuros: «Queremos também desenvolver tecnologias que permitam que um conjunto destes robôs possam cooperar e executar a estratégia mais indicada para reagir a uma ocorrência».

Exame Informática, 1 de junho 2012

 

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