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Cidade da Energia nasce em Ponte da Barca

Promotora Engenheiros Associados acredita que seduzirá operadores energéticos para este projecto de €25 milhões

Uma Cidade da Energia vai nascer em Ponte da Barca, numa iniciativa do grupo Engenheiros Associados (EA), em parceria com a câmara municipal. A âncora do projecto de €25 milhões será o Centro Interpretação da Energia (CIE), que combinará uma vocação de laboratório energético com a promoção das principais formas de energia limpa.

O investimento acolhe valências turísticas e lúdicas, sempre com a eficiência energética como palavra de ordem.

Quando há dois anos elaborou o Plano Estratégico de Ponte da Barca, no Alto Minho, a consultora Riforter, do professor da Universidade do Porto Rio Fernandes, verificou que a energia poderia funcionar como um motor de produção de riqueza e uma marca de marketing territorial.

Se, por exemplo, Paços de Ferreira é a Capital do Móvel, Ponte da Barca emergia como 'Território da Energia Limpa', potenciando as ligações existentes à EDP (barragens do Lindoso e Touvedo) e a produção de energia eólica. Entre as 115 acções concretas registadas no Plano, uma delas destaca-se pela ambição: a instalação do primeiro Parque da Energia em Portugal, aproveitando 200 hectares de baldios no limite do Parque Nacional da Peneda-Gerês.

Foi o próprio Rio Fernandes que apresentou a sua ideia ao grupo EA, que combina a vocação de empreiteiro com a montagem de operações de project management. Os sócios da EA logo se entusiasmaram e convidaram a Smartwatt, empresa constituída por investigadores do INESC Porto (Instituto de Engenharia de Sistemas e Computadores do Porto), para apresentar soluções de vanguarda e aplicações energéticas que surpreendam.

Entre as novidades que a Smartwatt prepara está a opção de revestir de espelhos reguláveis o edifício central que, beneficiando dos raios solares, permitirá concentrar calor destinado à produção de energia.

O CIE será uma espécie de Praça da Energia desta nova 'cidade'. Nesse pólo estão agregados um Museu da Energia, com elevado grau de interactividade, e a Academia das Energias, com unidades de investigação aplicada que acolherá ainda seminários ou acções de formação. As energias renováveis contarão com espaços para as empresas apresentarem os seus novos produtos ou protótipos e destinados a congressos, reuniões ou eventos de empresas do sector energético.

 A promotora EA acredita que não terá dificuldades em seduzir para o CIE os grandes operadores do mercado ibérico (EDP, Galp, Efacec, PT e Union Fenosa, entre outros) a patrocinar este emblemático conceito tanto mais que que o cluster eólico de Viana do Castelo se encontra a curta distância. A adesão "das grandes empresas arrastará a presença dos operadores mais pequenos, como sucede nos centros comerciais", reconhece Joaquim Bragança, administrador da EA.

Na frente turística, o parque acolherá um hotel "ambientalmente irrepreensível" com 40 quartos, SPA e outras comodidades e um conjunto de 80 pequenas casas modulares, "evolutivas e auto-suficientes do ponto de vista energético", destinando-se ao arrendamento de média ou longa duração — seis meses no mínimo. A EA confia que arrancará com as obras na próxima Primavera. A.F.

Expresso, 24 de Outubro, 2009

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