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Empresa portuguesa apresenta dispositivo para evitar úlceras em doentes acamados
Desenvolveu dispositivo microelectrónico que está a ter grande procura
A Tomorrow Options, “spin-off” INESC TEC/FEUP, apresentou hoje, no Porto, um dispositivo microelectrónico que vai auxiliar as equipas de enfermagem a prevenir o aparecimento das úlceras de pressão em pacientes privados de movimentos.
O MovinSense, colocado no peito do paciente acamado e privado da capacidade de se movimentar sozinho, regista a posição do paciente e comunica via “wireless” com as equipas de enfermagem, alertando-as sempre que é necessário reposicionar um paciente.
O objectivo é prevenir o aparecimento de úlceras de pressão, um tipo de ferida facilmente evitável e que, por isso, é consensualmente considerado um erro clínico, mas cujo tratamento é dispendioso, custando em média quatro por cento do orçamento de saúde de um país desenvolvido.
“Em Portugal não conseguimos obter dados mas, no Reino Unido, por exemplo, o sistema de saúde público gasta atualmente 3,1 biliões de libras só com os custos directos de tratamentos”, explicou Paulo Ferreira dos Santos, presidente da Tomorrow Options, uma pequena empresa nascida na Universidade do Porto, que integra 17 funcionários de oito nacionalidades diferentes.
Demonstração no Porto
Numa demonstração realizada no Serviço de Cuidados Intermédios no Hospital de S. João com alguns dos pacientes acamados, Paulo Ferreira dos Santos explicou que o MovinSense é o único equipamento do mercado que monitoriza o paciente e não a cama, além de exigir um menor investimento financeiro e ocupar menos espaço de armazenamento.
“Na prática evita a sobre-exposição da mesma área do corpo à pressão mas permite também alertar o enfermeiro quando o doente está muito agitado”, disse.
Dados disponibilizados pela empresa referem que um colchão anti-escaras e uma cama articulada elétrica custam em média mais de mil euros e um colchão com sensores de pressão custa em média mais de dois mil euros, por exemplo.
Monitorizar dez pacientes com o MovinSense exige um esforço monetário de “6.500 euros porque “o sistema só requer a compra de um aparelho emissor e de tantos aparelhos receptores quantos os pacientes a monitorizar”. Cada aparelho tem um custo inferior a 500 euros e possui uma bateria com autonomia para mais de uma semana.
“O tratamento de uma única úlcera de grau 1 (mais simples) custa 1.050 euros, que é o equivalente ao investimento em dois dispositivos MovinSense”, salientou.
Amortização rápida
Como tal, frisou o empresário, “o investimento no MovinSense fica amortizado logo que o aparecimento de uma úlcera é evitado”.
O MovinSense está pronto a entrar no mercado, estando Tomorrow Options já a negociar a sua distribuição com empresas internacionais.
“A receptividade não tem sido boa, tem sido excelente em todo o lado. Temos interessados na Suécia, no Reino Unido, em Itália, nos EUA. Julgo que não temos em mais porque ainda não conseguimos mostrar o dispositivo em mais países”, disse o responsável.
Dificuldades em Portugal
Em Portugal também “há interessados, mas existe alguma dificuldade em conseguir vender enquanto os prazos de pagamento dos hospitais forem estes”.
“Temos de pagar a nossa estrutura e o sistema português, com pagamentos a 400 dias, não é de certeza para uma pequena empresa como a nossa que não tem capacidade financeira para suportar esse custo, infelizmente”, lamentou o empresário.
A Tomorrow Options submeteu uma patente com extensão internacional relativa à tecnologia e à sua aplicação.
Ciência Hoje, 29 de outubro de 2011