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INESC Porto na "liga de honra" do desenvolvimento da fibra óptica

É uma tradição com 25 anos que coloca o Instituto de Engenharia de Sistemas e Computadores do Porto, mais conhecido por INESC Porto, no topo da lista dos laboratórios mais conceituados a nível mundial na área da investigação da fibra óptica, aqueles fios finos de material transparente, normalmente em vidro, que transmitem luz a longa distância e que revolucionaram o mundo das comunicações. A aventura do INESC Porto começou aí, a explorar esta tecnologia que permite transmitir em simultâneo dados, vídeo e voz, mas depressa se voltou para a área dos sensores constituídos por essa fibra "revolucionária". "Quando a fibra óptica para as comunicações passou para o conhecimento comum, foi necessário abordar outra área de investigação e, nessa altura, a escolha incidiu nos sensores com fibra óptica, ou seja, dispositivos que medem grandezas físicas, como temperatura e deformação mecânica, imunes à interferência electromagnética e que, por isso, permitem um maior rigor das medições e a sua utilização em qualquer tipo de ambientes", explica Ireneu Dias, coordenador adjunto da Unidade de Optoelectrónica e Sistemas Eléctricos.

SENSORES NA PONTE LUZ

A investigação depressa deu frutos e a Engenharia Civil e os construtores agradeceram. O reforço da Ponte Luiz I para a passagem do Metro do Porto, o viaduto da Corujeira ou a ponte de Salvaterra de Magos foram obras conseguidas com a ajuda preciosa dos já famosos sensores. "A nossa aposta é fornecer soluções completas, integradas, para monitorizar todo o género de infra-estruturas, desde pontes, barragens, edifícios e viadutos com o recurso a sistemas de sensores de fibra óptica", explica Ireneu Dias. E porque, na altura, "estávamos na presença de uma tecnologia que não existia nos sectores económicos portugueses e não havia empresas com quem dialogar", o INESC Porto avançou para a criação de uma "spin-off ', a Fibersensing, que se dedica quer ao sector de monitorização estrutural dos edifícios, pontes e viadutos, mas também à área da aeronáutica e à exploração petrolífera.

Mais uma vitória. Quatro anos depois da sua fundação, em 2004, a empresa já facturava 1,6 milhões de euros. Para este ano está prevista uma factur ação de 3,2 milhões. A Fibersensing está hoje entre as primeiras empresas do género a nível mundial, exporta 80 por cento do material que produz e conta com entidades como Airbus, Agência Espacial Europeia, General Electric, Siemens, Martifer e Refer na sua carteira de clientes. E ainda desenvolve produtos para a Micronetics, a empresa líder do sector a nível mundial.

PORTUGAL ACOLHE "WORKSHOP"

O INESC Porto está na "liga de honra a nível mundial nas áreas dos sensores", afirma Ireneu Dias. E a isso muito se deve o facto de Portugal ter sido escolhido como o palco de um workshop sobre sensores em fibra óptica, a EWOFS' 2OIO, a realizar em meados de Setembro. Um sinal de reconhecimento do prestígio do INESC Porto que já tem na mira e em estudo novas aplicações para os sensores de fibra óptica, nomeadamente na área de aplicação biomédica e monitorização ambiental, que prometem trazer novas revoluções.

Grande Porto, 5 de Fevereiro, 2010

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