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Carros eléctricos vão dominar as estradas no futuro

O INESC Porto ganhou um concurso da UE para estudar o impacto dos carros eléctricos nas redes energéticas.

Chegar a casa, tirar o casaco, pousar a mala e não esquecer de colocar o carro eléctrico a carregar na garagem. Pode parecer uma cena retirada de um livro de ficção científica, mas pode vir a ser possível dentro de alguns anos. Uma equipa científica, liderada pelo INESC Porto (Instituto de Engenharia de Sistemas e Computadores do Porto), está a trabalhar para concretizar este objectivo. O projecto MERGE (Mobile Energy Resources for Grids of Electricity), financiado pela União Europeia e ganho pela equipa portuguesa em concurso, procurará, nos próximos dois anos, estudar formas de preparar o sistema eléctrico europeu para a massificação da utilização de carros eléctricos. O MERGE conta com o envolvimento de 16 empresas e instituições de investigação europeias, o MIT e a REN - Redes Energéticas Nacionais. Com um orçamento de 4,5 milhões de euros, o estudo pretende "definir estratégias de gestão e controlo das redes eléctricas para acolher os carros eléctricos, para que encontre o mínimo de obstáculos possíveis, como a incapacidade de juntar o carregamento do automóvel a todos os outros aparelhos que estão ligados em casa", explica João Peças Lopes, director do INESC Porto. O docente da Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto acrescenta que isto tem de ser conseguido "sem que haja mudanças significativas nas infra-estruturas, porque esse esforço financeiro iria inviabilizar o desenvolvimento destas ideias". E porquê apostar nestas novas tecnologias e na mobilidade eléctrica? Para o cientista, a resposta é simples. "Por um lado, temos um problema que resulta das alterações climáticas, sendo que o sector dos transportes é um dos principais responsáveis pelas emissões de CO2. E, também, o petróleo não vai durar eternamente, muito pelo contrário".

LIDERANÇA EM PORTUGUÊS  

Uma das razões porque este projecto se torna especialmente importante em Portugal passa pela forte aposta na energia renovável no nosso país, o que permite assegurar a produção de mais electricidade a partir de fontes de energia "verdes". Portugal tem uma consideravelmente menor dependência nos combustíveis fósseis que os restantes países da Europa. Para além do impacto europeu, João Peças Lopes realça o importante papel que este projecto na imagem nacional. "O sistema científico português tem capacidade para liderar esta área. A atribuição deste projecto dá-nos claramente um papel de liderança científica, para além de toda a visibilidade que nos dá". O director do INESC Porto espera que com esta aposta, Portugal se situe cada vez mais na vanguarda da inovação tecnológica. "Isto é uma grande oportunidade para a indústria. Estamos no limiar de uma nova Revolução Industrial".  

Diário Económico, 22 de Setembro 2009

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