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Software do INESC Porto pode facilitar doação de rins

Projecto pretende maximizar número de transplantes

Transplantes podem ser facilitados com este software. Embora o transplante renal seja a solução que proporciona maior qualidade de vida aos portadores de insuficiência renal crónica, nem sempre é viável, mesmo quando existem dadores disponíveis, sendo ou não familiares directos.

Portugal tem implementada a doação renal cruzada, uma alternativa que permite cruzar vários pares dador-receptor, sendo cada um constituído por pessoas incompatíveis entre si, por forma a tornar os transplantes possíveis. Com o desenvolvimento de um novo software avançado que permite determinar o maior número de pares dador-receptor compatíveis em programas de doação renal cruzada, o Instituto de Engenharia de Sistemas e Computadores do Porto (INESC Porto) propõe-se agora o optimizar esta alternativa.

De acordo com Ana Viana, investigadora do INESC Porto e coordenadora deste projecto – que envolve também as universidades do Minho, de Lisboa, a Faculdade de Medicina da Universidade do Porto e a Autoridade para os Serviços de Sangue e da Transplantação -, esta tecnologia pretende maximizar o número de transplantes renais cruzados e deverá estar concluído em Dezembro de 2012.

“Este software compara alternativas de doação de rins. Vamos investigar algoritmos inovadores e vamos ter em conta aspectos que ainda não estão validados nas políticas nacionais que regulam esta questão”, revelou a coordenadora do projecto ao “Ciência Hoje”.

Desta forma, vai ser analisado periodicamente um universo de pares dador-receptor que estão inscritos num sistema até determinar uma solução óptima, que maximize o número de transplantes possíveis, respeitando um conjunto muito alargado de factores e imposições legais.

Abordagem inovadora

De acordo com Ana Viana, um dos aspectos inovadores abordados neste projecto prende-se com a “definição de um modelo dinâmico” que consiste no estudo da dimensão temporal entre as reuniões em que se definem os transplantes a fazer. “São feitas com determinada periocidade, mas talvez seja necessário rever os intervalos com que são feitas”, sugeriu.

Além disso, este trabalho vai “considerar mais do que um critério de avaliação para os transplantes”. “Às vezes maximizar o número de transplantes não é o melhor, se um deles for mais fraco”, explicou, acrescentando que vai ser proposta “uma análise multi-critérios”.

Com este conjunto de medidas, o projecto poderá resultar numa revisão das regras de doação implementadas em Portugal. “É óbvio que vai ter de haver uma comissão de validação das nossas propostas, pois estamos num campo de investigação e a explorar coisas novas. Contudo, certamente que este trabalho ajudará a fazer alterações nas regras nacionais”, frisou a investigadora do INESC Porto.

Ciênciahoje.pt, 20 de Julho de 2011